E quem disse que banheiro é um lugar calmo?

W.C. MIsto

Sábado

Helium

“Silencio... vazio.”
- Escuta...
...nada...
Somos um átomo
unidos
e vagando no vácuo...
temos o poder
da destruição completa
na falta do “nós”.


Ribeirão Preto - 04.08.07

______________________________________________________________________________________________________________________________________


Te como ainda!


Tomou-se de desejo por ela desde o primeiro dia. Quando entrou no escritório e deparou-se com aquela criatura loira, cheirosa, luminosa em seu vestido florido, sentiu que não teria vida fácil. Ela tinha na face o ar de mulher determinada e feminista. Era deliciosamente curvilínea e dominadora.

Ele era tímido. Pouco comedor. Sentiu-se retraído, oprimido. Iniciaram o trabalho em parceria e ele demorou a soltar-se. Ela tinha um jeito claro de olhar-lhe nos olhos, interrogando seus pensamentos. Exigia que ele se entregasse plácido, inteiro, sem hesitações nem contramedidas. Aos poucos ela foi dominando-o. A coisa foi tão bem urdida que, em pouco tempo, já o tinha cativo. Açulava-o com gracejos, confidências íntimas. Contava ao pobre coitado sobre o modo como rolou na cama com o noivo na noite anterior. Ele tentava manter-se calmo. Tomava duchas frias, se resolvia sozinho.

Um belo dia, porém, não pôde mais se conter. Ela debruçou-se levemente sobre o balcão, pretextando analisar um documento qualquer. Ele aproximou-se lentamente, encorajando-se a praticar a ação mais ousada de sua vida. Enfim chegou-se, o coração batendo a vinte mil por hora. Encoxou-a. Ela teve um movimento de espanto que não durou muito. Passou à injúria. Que direito tinha ele de fazer aquilo? Estava louco? Ela tinha o poder de demiti-lo, aquele cafajeste!

Ele, que sempre fora um zero à esquerda no que se referia ao conhecimento da alma feminina, teve então seu lampejo de esclarecimento. Percebeu que ela blefava. Viu no fundo dos seus olhos que ela queria que ele prosseguisse, que o jogo continuasse. Covarde por natureza, ele teria recuado ao grito se não tivesse notado essas sutilezas. Como notou, avançou. Enlaçou sua cintura e notou que ela era macia. Aspergiu de perto seu perfume de flores silvestres. “Ah guria, te como ainda!” O desejo há muito tempo contido enfim transbordou. Como um pianista que passa os dedos sobre o teclado, passeou as mãos pelas costas dela até apalpar-lhe a bunda. Sentiu que ela estava desconstruída, excitada, maluca. Ela gemeu baixo e ele a apertou mais forte. Estavam sós na sala. Ele desabotoou a blusa da companheira de trabalho, soltou o fecho do sutiã. Seios tenros se expuseram aos seus olhos felizes e ele ficou alguns segundos a admirá-los, róseos e lisos, jovens e acolhedores. Acariciou-os enfim, para em seguida não perder mais tempo com sentimentalidades. Virou-a se bruços sobre a mesa novamente, como na posição em que a encontrara. Levantou-lhe a saia, retirou-lhe a calcinha. Já na primeira penetração, ela soltou um grito de espanto prazeroso. Com medo de chamar a atenção, ele enfiou dois dedos entre seus dentes para calá-la. Ele vencera. Ela entregava-se, e entregava-se magistralmente.

As relações entre os dois foram se alterando. Trabalhavam sempre alucinados, acariciando-se por debaixo da mesa. Todo o escritório comentava e eles não pareciam dar importância a isso. No fim do expediente mandavam-se pra algum motel, já se agarrando no estacionamento da empresa. Era como uma cascata, uma coisa que não se podia conter de forma alguma. Ele que sempre fora aplicado, metódico, mostrava-se agora um trabalhador displicente. Ria-se quando lhe chamavam a atenção. Tanto mais não se importava com nada por saber que estava comendo sua chefe e que nada lhe poderia acontecer. Ordem superior achou por bem separá-los, mudando-o de seção. Ele armou escândalo na empresa. Decididamente estava mudado. Mandou o supervisor à puta que o pariu. Foi demitido.

As coisas tornaram-se então mais difíceis. Após a demissão, ela passou a evitá-lo. Argumentava que não mais convinha que eles se vissem. Que ela, afinal de contas, era noiva, e que o noivo já suspeitava. Ele fingia entender, prometia não procurá-la mais. Entretanto procurava e, a cada encontro, eles fornicavam como se não houvesse amanhã. Um dia ele foi esperá-la à saída do escritório, num horário de almoço. Colegas passaram e o cumprimentaram. Tinha virado uma espécie de ídolo entre seus pares. Ganhara o respeito deles. Foram-se e ele estava jubiloso, espírito enlevado e contente consigo mesmo quando a viu saindo. Aproximou-se alvoroçado, apertando-se contra ela. Ela o repeliu. “Está louco? Aqui não!”. Ignorou-a, tentou beijá-la. “Me larga!” Ele teve um movimento de surpresa. Depois ficou tomado de fúria. E de desejo. Jogou-a contra o carro, o olhar possesso. Ela teve medo. Deu-lhe um soco, disparou em direção ao carro e saiu cantando pneus.

Nos dias seguintes ele tentou de todas as maneiras lhe falar, mas ela evitava-o. Não atendia ao celular, driblava-o nos locais públicos. Ele sentiu um nó profundo, um sentimento de traição. Estava doente. Mandou mensagem no celular marcando encontro. Quem apareceu no local indicado foi o noivo. Deu-lhe um soco que deslocou seu maxilar. Apanhou e bateu pouco, pois era destreinado na arte da luta. O outro apanhou uma garrafa de cerveja que estava por perto, quebrou-lha na parede e o ameaçou com cacos afiados. Alguém apareceu e separou a briga. Pessoas foram se aglomerando. “Fica longe dela! Fica longe senão te mato!”

Ele não conseguia mais ficar longe. Precisava dela, precisava daquele corpo de deusa e daquele sorriso safado. Precisava beijar-lhe o clitóris, arrancar-lhe sussurros macios e ávidos. Não podia mais viver sem aquela umidade, aquele calor, aquele prazer e aquele pequeno apocalipse particular.

Revirava-se na cama tendo pesadelos. Pesadelos de uma vida inteira longe dela, ela servindo a outro homem. Passou a não dormir mais, mas os pesadelos o pegavam também na vigília.

Tomou uma decisão desesperada. Foi até a frente da casa dela, gritar, acordar os vizinhos, fazer o diabo. Os noivos que dormiam juntos naquela noite acordaram sobressaltados. A família da moça encolheu-se de vergonha. Decidiram que o mais sensato era que ela fosse ao encontro do homem, para tentar contê-lo. O noivo opôs-se, queria quebrar a cara do infeliz. Contiveram-no e a moça desceu.

Chovia muito e o primeiro sentimento que ela teve, suplantando-lhe o medo e a vergonha, foi pena. Aproximou-se dele e viu que chorava feito uma criança. Deixou-se ficar junto ao homem, acolhendo-o em seu colo, como se recebe um menino que se machucou na rua. Sentiu-se culpada. Mas olhou-o nos olhos e, por um momento, sentiu de novo aquele brilho, aquela avidez, aquele monstro inesperado que devorava os dois. Ele sorriu para ela e eles perceberam que estavam pra sempre atrelados, como dois cães procriando. Uma frase, apenas uma frase. “Te como ainda...”

___________________________________________________________________________________________________________________________________


O VASO QUE SE FOI


A teoria não me permite
exprimir a falta que tenho
do além mar
se nunca estive além
do aquém,
senão em devaneios indescritíveis,
(inexplicáveis também de mim para mim)
pois são reais como sonhos
que, quando nos julgamos despertos,
temos apenas cacos que tentamos
colar com a lógica...
Mas já não há lógica!
e tampouco existiu o vaso que se foi.


31.07.07

___________________________________________________________________________________________________________________________________________

Créditos:

"Te Como Ainda!" é o primeiro conto semi-erótico de Chico Ximenes. Trata-se de artigo ficcioso e qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.

Os poemas "Helium" e "Vaso Que Se Foi" são de autoria de W. Fernandes. W. Fernandes é poeta, contista e aspirante a tecnocrata.

E eles tomam banho juntos! Cirlo PLus às 9/29/2007 vasos comunicantes


[ [ [

Quinta-feira




"Deixai toda a esperança, ó vóis que entrais" !


É salutar informar que este blog pode ser extremamente prejudicial àqueles que zelam pela ordem arbitrariamente pré-estabelecida, podendo levar seus incautos freqüentadores a desde um sorrisinho de pura malícia até um aneurisma seletivo, capaz de extirpar de seu cérebro apenas os pensamentos tidos como corretos, bons e normais. Todavia, amantes do caos, amásios da desordem, concubinas dos abismos, mancebos das tempestades verbais, ninfas dos ciclones corpóreos, sejam todos bem-vindos à morada dos sátiros e dos faunos, ao espaço público destinado a acolher com carinho todas as diferenças.
Não importa se você é emo, glutão, exibicionista, paranormal, bicha, dominatrix, nerd, macumbeiro, astrólogo, amazonas, bailarino, terrorista, macho-alfa, confeiteiro, sapatão, anoréxica, obeso, transexual, anão, domador, Amélia, músico, limpador de chaminé, ladrão de galinha, tarado por velhinha ou se não usa camisinha... No WC MISTO, você é bem vindo, não APESAR de você ser quem você é, mas, JUSTAMENTE por você ser quem você é.
Chega de separar as pessoas por cor, credo, sexo, status social, poder econômico, estatura, tamanho dos pintos ou cor das calcinhas! Abaixo à ditadura do “SEJA ISTO OU AQUILO”! Apenas, sejamos! Sejamos muito! Sejamos pra valer! Sejamos sem parar! E queiramos! Queiramos sempre mais!





E eles tomam banho juntos! Cirlo PLus às 9/20/2007 vasos comunicantes


[ [ [

:: Perfil ::

Nome: B.D. Grup

miquitório: irilo Plus e ...

Chuveirinho: Íris

Razão social Infetar e desinfetar

Arma Bom ar

Ao som de Tomo um baho de lua lá lá lá...

No momento: Está ocupado


:: Contato imediato::

Mande um tropeido grupBD@mijah.com

ICQ: 170356905

MSN: ????


:: Outras privadas ::

Sonhos e Clichês 2


:: Passado ::



:: Cliques ::



:: Créditos ::

Templates By Mmandrummamm

© 2003
Mmandrummamm Templates
Todos os direitos reservados

Melhor Visualizado em 1024 X 768

Blogger Brasil